17.10.10

Texto para exemplificação das técnicas dissertativas

Pessoal, relembrando uma das nossas últimas aulas, ainda comigo como professor do cursinho, aquela aula sobre Neoplatonismo e seu valor absoluto e relativo, eu escrevi este texto, que ainda que seja dissertativo em seu conteúdo, a sua estrutura foge um pouco das solicitadas nos vestibulares, por se propor a ser um artigo.
 Mas se fomos estudar a sua estrutura, podemos perceber que ela também serve como modelo para a redação dos vestibulares, até porque, ela faz uso de uma tese de adesão inicial, de uma tese principal e de um fato exemplo, além, é claro, de utilizar uma das técnicas de conclusão em uma dissertação.
Bom, vamos lá:
-A tese de adesão inicial (usada no primeiro parágrafo) é a de que as verdades de cada um devem ser respeitadas, pois elas somadas, conduzem à Verdade que é boa para todos.
-A tese principal se refere às verdades relativas e à Verdade Absoluta. Esta tese principal será defendida nos parágrafos de desenvolvimento da dissertação.
- O fato exemplo se refere a um modelo para comprovar se as verdades são Verdades. A exemplificação da nossa tese está no modelo 1+1=?
-E na conclusão é usada a técnica de reforço, através da metáfora do rio e do mar usada na introdução.
Agora, deixo uma pergunta para vocês refletirem:
-Que tipo de argumento foi usado para defender a tese principal?
(Compatibilidade e Incompatibilidade, Regra de Justiça, Retorsão, Ridículo, Definições Etimológicas e Normativas; Desperdício, Exemplo, Modelo e Antimodelo, Analogia ou Pragmático)

Sobre a Verdade por trás das verdades
“Ao alimentar o verdadeiro, ilumina-se a consciência; ao fomentar o bem, gera-se o saber”
Todas as verdades estão interligadas e quanto mais se buscar pôr em prática esta interligação, mais será a compreensão da Verdade que interliga todas as verdades, afinal, como Sertillanges afirma “basta eu embarcar no afluente que chegarei ao rio, e daí ao mar.
Mas que verdades são estas que se interligam? Estas verdades são aquelas consideradas relativas, ou seja, são pontos de vistas individuais, e por assim serem, variam de pessoa à pessoa, sendo que, algumas destas verdades podem não possuir efeito no geral, enquanto outras são somente efetivas em um âmbito específico; no entanto, esta efetividade é que irá conferir à relatividade caráter de verdadeiro, pois, sendo efetivo, ainda que relativo, possui valor prático - mesmo que na esfera individual.
Porém, se a relatividade de uma verdade assim for, ela inclusive, poderá conduzir a uma verdade também prática na esfera do geral e do todo. Mas cabe uma ressalva: para esta efetividade existir é necessário o bom funcionamento do processo da dinâmica de interdependência, que será analisado a seguir.
Assim como os fins são interdependentes a uma causa maior a qual eles são destinados, as verdades relativas também são interdependentes, portanto, todas elas dependem das verdades que as antecedem, sendo que a última das verdades – o que, inclusive deste ponto de vista de interdependência a caracteriza, também, como a primeira das verdades – é a Verdade Absoluta - a Verdade por trás das verdades.
Esta Verdade Absoluta é a última das verdades porque ela interliga as verdades relativas; e ela é a primeira, por ser o elemento sintetizador das teses e antíteses que conferem o tom da dinâmica entre as verdades relativas.
Aliás, é nesta dinâmica entre verdades relativas que pode-se certificar, se o que está sendo analisado, é uma verdade – ainda que relativa – ou não.
Como foi abordado anteriormente, para a ascensão à Verdade, é necessário abdicar de uma posição individual para ressaltar uma participação coletiva rumo ao universal. A este processo, convém denominá-lo de dinâmica de interdependência.
Ainda, sobre a dinâmica entre as verdades relativas e seu processo de interdependência, é interessante demonstrar através de uma pérola de sabedoria popular, quais são os três possíveis resultados que podem ser obtidos no processo:               
                - a dinâmica de interdependência através de um argumento, onde 1+1=0;
                - a dinâmica de interdependência através de um debate, onde 1+1=2;
                - e a dinâmica de interdependência através de um diálogo, onde 1+1=3.
Portanto, quando na soma das verdades relativas individuais, o resultado for maior ou igual a dois (2), uma ou todas as variáveis podem ser consideradas bom e/ou vero.
Porém, na certificação e na busca pela Verdade é mais interessante e sensato, se atentar à dinâmica de interdependência do que na relatividade individual das verdades de cada um dos envolvidos neste processo, isto porque, é no respeito à relatividade, portanto, aos pontos de vistas individuais, que se alcança o elemento síntese que levará todas as verdades relativas que flutuam nos afluentes do rio ao absolutismo integrador do mar, que tudo abarca e que é o fim último de tudo aquilo que almeja conhecer o fator primeiro, a Verdade Absoluta.


25.7.10

Amor absoluto e relativo (redação de uma aluna)

Considerando que existem bilhões de pessoas no mundo, seria necessário ter conhecimento de como cada uma delas ama, para se dizer com propriedade o que é amor absoluto ou o que é amor relativo.
Não se pode dizer que o amor é relativo simplesmente por que são imperfeitos. Não se pode dizer, por exemplo, que o amor entre um casal é relativo porque os casais sobre os quais se tem conhecimento tiveram um fim. Afinal, só porque algo que não é conhecido não significa que não exista.
Da mesma forma também não se pode dizer que uma determinada mãe não nutre amor absoluto por seu filho, apenas porque sendo humana, às vezes pode ser egoísta ou manifestar qualquer outro sentimento que não tenha conexão com o amor. Relacionamentos não se constrõem com um ou dois momentos, e sim, com um conjunto extenso de uma infinidade de momentos, cuja soma irá mostrar se há ou não amor.
No entanto, também não se pode afirmar que o amor seja ”de mãe” ou “entre casais” ser absoluto, pois isso incluiria todas as mães e todos os casais, e não se conhecem a todos, por isso, também não se conhece todas as formas de amar. Da mesma forma que existem mães que assassinam os filhos, também existem mães que dão a vida por seus filhos, exemplificando que poucas pessoas sobre as quais se sabe algo, são e amam de jeitos diferentes.
O fato de não se poder classificar as pessoas e suas formas de amar a partir de dois conceitos, mostra que nada é absoluto e que o amor não se categoriza, assim, como se separam feijões bons e ruins, por ter diante de si o todo.
Além do que, o que alguém acha ruim, pode ser bom para outro alguém, e isto comprova que o “único princípio absoluto é de que tudo é relativo”.

Amor ao extremo (redação de uma aluna)

Amar até o fim sem se importar em ser retribuído, ou sem ter a necessidade de amar apegado a algo, mas simplesmente ter o prazer de possuir esse sentimento de extremo afeto referente à obra prima de um simples ser.
Esse sentimento permite o crescimento, a evolução da existência e cria um objetivo de vida mais útil. O amor assim ultrapassa a lógica, a razão e faz a pessoa conhecer o segredo mais oculto da sociedade.
O afeto extremo conduz as pessoas a compreenderem que há um bem maior, maior que as leis de Newton e superior ao intelecto de Darwin que desenvolveu a teoria da evolução.
O exemplo de vida que se conhece hoje de afeto extremo é de Ayrton Senna, onde em todo o decorrer da sua existência, sempre ajudou o próximo e conquistou seu título de herói brasileiro na sua maior apresentação de amor, como quando nos seus últimos segundos de vida ultrapassa a linha de chegada, provando que a morte é apenas o início de uma vida nova.
Todo esse esforço que nos fora deixado como exemplo, é a prova de que o amor dá ao ser uma evolução completa, dando coragem e força de espírito, onde é conseguido superar os limites e é alcançado de verdade a vida, afinal, o que faz da vida é o amor.

Plenipotência humana (redação de uma aluna)

Ter o domínio de poder decidir sobre sua própria vida, conseguindo atingir os limites conhecidos e desconhecidos da existência, não torna um homem poderoso, porém, não desistir de buscar tais coisas o torna em um ser com pleno poder.
A renúncia e a abdicação de proporcionar a alguém ou a si próprio uma evolução, o torna em um homem medíocre e infausto, mas a busca lhe traz paz, força, exatidão e a esperança que o tempo que está por vir trará à sua vida e à dos outros, uma evolução tanto mental quanto espiritual.
Para evoluir é necessário cultivar sempre o que há de mais belo, bom e verdadeiro no mundo. Estar sempre em busca da perfeição e tendo uma visão ampla, onde os olhos alcancem a bondade e as coisas belas da vida.
Amônio Sacas, que iniciou o platonismo, deixa bem nítido que se os seres humanos olharem o lado belo e bom da vida, conseguirão mudar o que não é totalmente perfeito, pois, sua ideia é de que o que não é perfeito é menos perfeito e assim pode-se transformar isto em perfeição.
Assim como Saccas, surgiram outras pessoas que nos mostrou que cultivar o bom, o belo, a busca da perfeição e o conhecimento, nos torna melhores. Foi isso que fez Ayrton Senna.
Aliás, para as pessoas evoluírem e transformarem o mundo em algo melhor, é preciso aprimorar o bem. Primeiro, a mudança tem que ser interna, começando por nós, buscando o belo dentro de sim e mostrando que a plenitude humana está na capacidade de produzir e criar o bem.

23.7.10

O que é importante na vida? (redação de um aluno)


O que é importante na vida? Talvez esta seja a pergunta que paira sobre a cabeça de 6,7 bilhões de pessoas neste exato momento. O problema é que não existe uma resposta para esta indagação, já que esta é muito relativa. Sendo assim, a resposta para esta pergunta pode ser dividida em duas categorias: a biológica e a individual.
A biológica pode ser aplicada a seres racionais e irracionais. Segundo este ponto de vista, o que é importante na vida é manter a vida, é preferir a continuidade da espécie. Todos os nossos atos, desde comer, beber e dormir, e até o desenvolvimento da nossa complexa estrutura social, tem como objetivo manter a nossa vida individual, e por conseqüência, a coletiva.
Já, a segunda categoria, a individual, é o que mantém a estrutura biológica. A importância individualista da vida da vida também é totalmente relativa. Ora, não é todo mundo que tem os mesmo sonhos. Por exemplo, uma criança africana superetisma um simples prato de comida, enquanto que para uma criança abastada, isso não passa de uma mera banalidade.
Sintetizando, o importante na vida para toda a espécie humana é manter-se dominante na Terra e depois, tornar a própria vida suportável e prazerosa. Daí, podemos entender a importância das religiões, das leis, das paixões, das amizades e do consumo. Uma pessoa só é capaz de responder essa pergunta após um longo período de vivência, pois, só depois disto que ela poderá julgar o que realmente tem importância em sua vida.

Fazendo a diferença (redação de uma aluna)

Vida, segundo o dicionário, é o espaço de tempo que vai do nascimento à morte. Quando esse tempo acaba só restará para o mundo a marca que essa vida tiver deixado, que se dará somente se esta tiver valido a pena, se tiver sido usada para fazer a diferença.

Quando se fala em “fazer a diferença”, se fala em mudar o mundo. Algo que embora não seja fácil, é na verdade simples, pois, o princípio dessa mudança não compreende ações globais, e sim, uma revolução humana que deve acontecer na vida de cada um.

Falar em Gandhi, é falar em alguém que usou a vida para libertar todo um país; em alguém cuja existência valeu a pena, alguém dotado de coragem (pois, lutar pela independência da Índia do domínio britânico, pode parecer impossível ) não mediu esforços para obter o fim desejado. Através da sua revolução humana, ele se sacrificou em prol do bem comum. Ele conseguiu fazer a diferença.

Luther King quis igualdade; Mandela lutou contra o apartheid, e tantos outros lançaram objetivos para mudar o mundo. Objetivos esses, cujas concretizações só se dariam através de um esforço tremendo e que dependeram apenas do que eles decidiram fazer com as suas vidas, a partir do momento em que revolucionaram, ou seja,  transformaram a dúvida em certeza e o medo em coragem. E é por seus grandes ideais que ainda hoje são lembrados.

Uma pessoa com esperança não é alguém irrealista, e sim, alguém convicto. O fato de querer verdadeiramente algo, algo mesmo que grandioso e pareça impossível, como mudar o mundo, faz com que sejam tomadas atitudes que o levem ao seu objetivo. Logo, se tudo depende apenas da sua vida, da sua revolução humana, ou seja, da sua disposição em transformar seus medos e dificuldades no trampolim da sua vitória, a concretização do sonho é garantida. Em outras palavras, para que a vida valha a pena, basta querer fazer a diferença, pois, querer é poder.

A felicidade (redação de um aluno)

A vida, essa dádiva divina, tem vários objetivos, porém, o mais importante deles é ser feliz. A felicidade é a reunião de todos os sentimentos bem sucedidos no coração, desse modo, não há maior e mais gratificante desejo na vida do que ser feliz.

O comercial pergunta “o que faz você feliz”, e o que talvez não se perceba é que a verdadeira felicidade está nos pequenos momentos, momentos geralmente acompanhados por alguém muito especial.

Essa é uma fórmula para ser feliz, aproveitar cada momento ao lado de quem você ama; o amor é o motor.

Ser feliz é estar com a alma saudável, a mente tranqüila e ter a vida bem resolvida, portanto, é estar completo no bem maior que a vida pode oferecer, e viver cada dia como se fosse o úlitmo.

22.7.10

Tema - Neoplatonismo

Contexto histórico
-Surge na Alexandria – centro cosmopolita.
-Mesma época da vinda do Cristo.
-Inicia-se com Amônio Saccas (175 -242), mas se desenvolve com Plotino.

Características
-Visa o Bom, Belo e Verdadeiro.
- A perfeição e a Felicidade advêm do conhecimento e da contemplação filosófica.
- Ressalta o otimismo. O mal não existe, é irreal. As coisas são perfeitas e menos perfeitas. O mal é a falta da perfeição, portanto irreal. O foco deve ser no Bom, Belo e Verdadeiro.
-Tudo o que existe vem do Uno e se divide emanando em seres menores.
- Busca a síntese do dual: a subjetividade da religião e do divino e a objetividade da razão sob a luz da ciência.
- Racionalismo ocidental como forma (tese) e misticismo oriental (antítese) como conteúdo gerando a síntese neoplatônica.
- Visa unificar os pólos opostos da criação.

Pensadores
-Filon de Alexandria -25aC Para ele a torá traz a verdade sob forma alegórica, a mesma verdade que Platão traz de forma filosófica.

-Hipátia -355 - 415 dC Foi matemática e filósofa, um dos maiores exemplos do que se trata a busca que se propõe o neoplatonismo, ou seja, a união da razão da ciência com a metafísica das religões. Ela estudou na Academia de Alexandria e ainda continua sendo um exemplo de mulher, pois, vivendo em uma época em que as mulheres eram tratadas como objetos, ela se destacou, inclusive, aconselhando na administração da cidade.
Seu discípulo e aluno mais proeminente foi Sinésio de Cirene, este em uma carta à Hipátia escreve:
"Meu coração deseja a presença de vosso divino espírito que mais do que tudo poderia adoçar minha amarga sorte. Oh minha mãe, minha irmã, mestre e benfeitora minha! Minha alma está triste. Mata-me a lembrança de meus filhos perdidos… Quando receber notícias tuas e souber, como espero, que estás mais feliz do que eu, aliviar-se-ão pelo menos a metade de minhas dores".

-Orígenes de Alexandria - 185 - 253 dC - Foi um dos padres gregos.
Ainda que fosse padre, ele foi considerado pagão por basear seus ensinamentos na filosofia platônica, desta forma, trezentos anos após a sua morte, seus ensinos foram condenados pelo Concílio Eclesiástico de Constantinopla, em 553, sob reinado do imperador Justiniano.

14.7.10

Ordem e Progresso (redação de uma aluna)



Diferente do que acontece na prática, a sociedade não precisa de uma razão controladora predominante. Não é necessário se ter uma sociedade de massa para se chegar ao progresso social. Muito pelo contrário, a ausência de senso crítico e opiniões diferentes para se chegar ao melhor consenso, é o que impulsiona a estagnação do progresso social.
Segundo Adorno e Horkheimer, é por meio da indústria cultural que as relações de produção capitalista fazem com que se ignore o sistema social predominante, evitando assim, uma consciência revolucionária no proletariado. Em outras palavras, a sociedade se apega à representação da realidade -muitas vezes falsa – como verdade absoluta, acomodando-se assim, sem questionar-se sobre a veracidade que existe por trás dos símbolos ou dos arquétipos a serem seguidos.
Se as representações fossem puramente verdadeiras, seriam apenas um caminho mais curto que a mente de cada indivíduo percorreria até chegar à realidade de um todo. No entanto, uma mera representação é suficiente para que a maioria das pessoas desprovidas de senso crítico não se interessem pela realidade, facilitando assim, a vida daqueles que controlam a manipulação das imagens e consequentemente controlam também a vida de cada indivíduo.
Prova de que as pessoas se satisfazem com as imagens, é o fato de que atualmente, muitos não consomem mais determinados produtos ou serviços, e sim a marca do fabricante. E no que diz respeito à elite controladora dos meios de comunicação, comprova-se isso, ao notar que em 1973/1974 – anos de ditadura – foi também, coincidentemente, ano de Copa do Mundo, e ao invés de se revoltarem contra a institucionalização das eleições indiretas, foram apedrejar a casa do técnico da seleção, porque esta havia perdido o campeonato.
Em suma, embora a teoria da sociedade de massa tenha sido desenvolvida em 1947, ainda hoje, se encaixa com o sistema em que vivemos. E se houvesse de fazer uma associação entre as imagens e o progresso, certamente, esse progresso diria respeito somente à minoria que lucra ao escravizar a maioria por meio de meras representações.

A imagem e o equilíbrio (redação de uma aluna)


Imagem é tudo o que pode ser representado através de símbolos, signos, arquétipos ou até mesmo, uma forma de viver, dito e seguido pela sociedade - a qual traz certo equilíbrio ao estado dos homens que vivem sob leis comuns.
A imagem conduz ao equilíbrio mental e social, é através dela que as pessoas distinguem e definem seus sonhos, objetivos e até constroem planos - devido à semelhança que aparenta na vida cotidiana.
O fato de um corpo sustido por forças opostas e iguais, é devido à forma de expressão onde cada indivíduo pode dar seu palpite ou opinar sem ser de uma forma ignorante, a qual pode acarretar agressividade física ou morte. A imagem tem o poder de evitar esses tipos de conflitos, e com sutileza ela mostra ao ser como se desafogar e se pronunciar perante à sociedade mostrando a sua visão.
Um dos exemplos admiráveis é o da pintora mexicana Frida Kahlo, que através de suas obras demonstrou os seus sentimentos mais profundos e críticos referentes à sociedade de sua época. Assim como Frida, Tarsila do Amaral também mostra à sociedade, sua opinião e fatos através da imagem.
Aliás, a imagem não é uma simples cultura de massa, signos, arquétipos ou símbolos, ela é uma forma de expressão sutil que fala tão alto quanto as palavras. Enfim, imagem é a identificação da existência e posição de cada indivíduo.

13.7.10

Um mundo por imagens - FUVEST 2010

10.7.10

As Técnicas Argumentativas

Técnicas argumentativas são os fundamentos que estabelecem a ligação entre as teses de adesão inicial e a tese principal. Essas técnicas compreendem dois grupos principais: os argumentos quase lógicos e os argumentos fundamentados na estrutura do real.
 
Argumentos Quase Lógicos
1 - Compatibilidade e Incompatibilidade
2 - Regra de Justiça
3 - Retorsão
4 - Ridículo
5 - Definições (Etimológicas e Normativas)

Argumentos do Real
1 - Desperdício
2 - Exemplo
3 - Modelo e Antimodelo
4 - Analogia
5 - Pragmático

9.7.10

Argumentos Quase Lógicos

 
Compatibilidade e Incompatibilidade
Utilizando essa técnica, a pessoa que argumenta procura demonstrar que a tese de
adesão inicial, com a qual o auditório previamente concordou, é compatível ou
incompatível com a tese principal. 

Podemos, por exemplo, antes de tentar convencer o Secretário de Transportes de nossa
cidade a retirar as lombadas das ruas (tese principal), fazê-lo concordar com a tese de
adesão inicial de que, em caso de incêndio ou transporte de doentes, as lombadas
prejudicam sensivelmente a locomoção de carros de bombeiro e de ambulâncias, que são obrigados a parar a cada obstáculo, atrasando um socorro que deveria ser imediato. As lombadas são, pois, incompatíveis com o bom funcionamento dos serviços públicos de emergência.

Esses argumentos recebem o nome de quase lógicos, porque muitas das
incompatibilidades não dependem de aspectos puramente formais e sim da natureza das coisas ou das interpretações humanas. Um eleitor norte-americano, mesmo concordando que o país estava pior no governo Carter, poderia votar nele, por uma questão de amizade, parentesco ou religião. Em um argumento lógico isso é impossível. Eu não posso, por exemplo, depois de dizer que todo homem é mortal, dizer que Paulo, apesar de ser homem, não é mortal, porque é meu amigo!

Regra de Justiça
A regra de justiça fundamenta-se no tratamento idêntico a seres e situações integrados em uma mesma categoria. Um filho, cujo pai se recusa a custear-lhe a faculdade, pode protestar, dizendo que acha isso injusto, uma vez que seus dois irmãos mais velhos tiveram seus cursos superiores pagos por ele. É um argumento de justiça, fundamentado na importância de um precedente.
Utilizando ainda a questão das lombadas, podemos argumentar, defendendo a tese principal da sua retirada, dizendo que esses obstáculos são injustos, uma vez que tanto aqueles que têm por hábito andar em alta velocidade, quanto aqueles que não têm esse hábito são punidos da mesma forma, pelo desconforto de ter de frear o carro, pelo desgaste do veículo etc.

Retorsão
Denominamos retorsão a uma réplica que é feita, utilizando os próprios argumentos do interlocutor. No dia seguinte, após ter entrado em vigor, no ano de 1998, o novo Código Nacional de Trânsito, os noticiários de televisão mostravam donos de carros antigos comprando, em lojas de acessórios, cintos de segurança de três pontos e apoiadores de cabeça para os bancos traseiros, objetivando cumprir um artigo desse código que estabelecia a necessidade desses equipamentos em todos os veículos em circulação no país. Horas depois, um jurista apareceu na mesma emissora de televisão, afirmando que não havia a menor necessidade daquele procedimento, uma vez que o mesmo código, em outro artigo, dizia que não poderiam ser alteradas as características originais de fabricação dos veículos, ou seja, o próprio código que exigia adaptações, em outro artigo, desautorizava-as. Ficou valendo esta última posição! A obrigatoriedade dos cintos de três pontos e dos apoiadores de cabeça para os bancos traseiros ficou restrita aos carros fabricados a partir da data de vigência do novo código.


Ridículo
O argumento do ridículo consiste em criar uma situação irônica, ao se adotar, de forma provisória, um argumento do outro, extraindo dele todas as conclusões, por mais estapafúrdias que sejam. Um exemplo desse procedimento pode ser visto no artigo abaixo, de autoria de Clóvis Rossi, publicado no jornal Folha de S. Paulo:

Cai o Palace 2 e os culpados são as vítimas, se se pudesse levar a sério a afirmação de seu construtor, o deputado Sérgio Naya, de que ouviu falar que algum morador do prédio estava construindo irregularmente uma piscina, em clara insinuação de que fora essa a causa do desabamento. São Paulo quase some sob as águas de março e os culpados são, de novo, as vítimas. Se não fosse o tal do povo sujar as ruas, os bueiros não teriam ficado entupidos e não teria, em conseqüência, havido alagamentos. É o que alega a laboriosa Prefeitura de São Paulo, gestão Celso Pitta.
Como no Brasil há uma forte tendência a que peguem modas indecentes, vamos desde logo à lista dos próximos culpados:

1. Está desempregado? A culpa é sua. Quem mandou preferir ficar em casa, batendo papo com a ”patroa”, em vez de pegar no pesado? Você acaba se viciando no generosíssimo seguro-desemprego pago pelo governo.

2. Sua pequena ou microempresa quebrou? A culpa é sua. Se tivesse PhD em Ásia, você ficaria sabendo que a Tailândia ia quebrar, que logo seria seguida por um punhado de
”tigres” e o Brasil seria obrigado a duplicar os juros que já eram dos mais altos do mundo.
Será que só você não percebeu que a Ásia ia quebrar?

3. Levou uma bala perdida? A culpa é sua. Quem mandou sair à rua, dormir ou nadar sem um colete à prova de balas?

4. Não conseguiu colocar o filho na escola pública de sua preferência? A culpa é sua. Por que não comprou uma casa em um bairro em que a escola próxima tem vagas?

5. Está penando na fila do INSS? A culpa é sua. Só você não ficou sabendo que a economia de mercado oferece uma penca de planos de saúde privados (a fila pelo menos é menor). E não me venha com a história de que o seu salário não lhe permite pagar um plano desses.
Quem mandou você não se preparar para a tal da globalização?

Como vemos, o articulista aceita de modo provisório e irônico o argumento do construtor Sérgio Naya e do prefeito de São Paulo, e aplica-o em diferentes situações, gerando paradoxos.

Logo abaixo, pessoal, vemos aquele causo do Veríssimo sobre o cego que caçou com gato.

O escritor Luís Fernando Veríssimo escreveu, certa vez, uma crônica, utilizando a técnica do ridículo. Trata-se da história de um pobre cego que não tinha conseguido encontrar um cão para guiá-lo pelas ruas da cidade e, como diz o provérbio que ”quem não tem cão caça com gato”, arrumou ele um gato. Depois de certo tempo, era visto passeando não só pelas ruas da cidade, guiado pelo gato, mas também por cima dos muros, por sobre os telhados e por outros lugares insólitos freqüentados usualmente por esses felinos. Por isso eu prefiro dizer: quem não tem cão melhor não caçar, porque gato só atrapalha!


Definições
Para entender o uso das definições como técnicas argumentativas, precisamos, primeiramente, conceituá-las. As definições podem ser: normativas e etimológicas.

a)Definições Normativas.
As definições normativas indicam o sentido que se quer dar a uma palavra em um determinado discurso e dependem de um acordo feito com o auditório. Um médico poderá dizer, por exemplo: — Para efeito legal de transplante de órgãos, vamos considerar a morte do paciente como o desaparecimento completo da atividade elétrica cerebral.

b)Definições Etimológicas.
As definições etimológicas são fundamentadas na origem das palavras. Podemos dizer, como exemplo, que convencer significa vencer junto com o outro, pois é formada pela preposição com mais o verbo vencer. Se fosse vencer o outro ou contra o outro, deveria ser contravencer. É preciso, contudo, prestar atenção a um fato importante. Às vezes, as definições etimológicas não correspondem mais à realidade atual. Tal é o caso, por exemplo, da palavra átomo que, examinada etimologicamente, quer dizer aquilo que não pode ser dividido (a + tomo). Mas, todos sabemos, hoje em dia, que os átomos são compostos de muitas partículas subatômicas e podem ser divididos por meio da fissão nuclear.
As definições expressivas e etimológicas são as mais utilizadas como técnicas argumentativas, uma vez que permitem a fixação de pontos de vista como teses de adesão inicial. Um arquiteto poderá tentar convencer um cliente a aceitar modificações na localização das janelas de um projeto, ou no seu paisagismo, a partir da definição expressiva (tese de adesão inicial) de que uma janela deve ser sempre uma oportunidade para se contemplar o verde.
A filósofa Marilena Chauí utiliza, no texto a seguir, a definição etimológica de religião, para explicar o modo como as várias culturas se relacionam com o sobrenatural:

A palavra religião vem do latim: religio, formada pelo prefixo re (outra vez, de novo) e o verbo ligare (ligar, unir, vincular). A religião é um vínculo. Quais as partes vinculadas? O mundo profano e o mundo sagrado, isto é, a Natureza (água, fogo, ar, animais, plantas, astros, pedras, metais, terra, humanos) e as divindades que habitam a Natureza ou um lugar separado da Natureza.

Nas várias culturas, essa ligação é simbolizada no momento de fundação de uma aldeia, vila ou cidade: o guia religioso traça figuras no chão (círculo, quadrado, triângulo) e repete o mesmo gesto no ar (na direção do céu, ou do mar, ou da floresta, ou do deserto). Esses dois gestos delimitam um espaço novo, sagrado (no ar), e consagrado (no solo). Nesse novo espaço erguem-se o santuário (em latim, templum, templo) e à sua volta, os edifícios da nova comunidade.

8.7.10

Argumentos do real

Pragmático
O argumento pragmático fundamenta-se na relação de dois acontecimentos sucessivos por meio de um vínculo causal. O argumento de Hamlet, no exemplo anterior, trabalha nessa linha, pois, deixando de matar o rei usurpador, evita que essa morte seja causa de um acontecimento futuro que ele não deseja: que a alma do tio vá para o céu. O mais comum, entretanto, é a transferência de valor de uma conseqüência, para a sua causa.

Exemplo: uma semana após a implantação do Novo Código Nacional de Trânsito, em 1998, os jornais divulgaram uma estatística que comprovava um decréscimo de acidentes com vítimas da ordem de 56%. Essa estatística serviu de tese de adesão inicial para a tese principal: a de que o novo Código era uma coisa boa. Para que o argumento pragmático funcione é preciso que o auditório concorde com o valor da conseqüência.

O texto a seguir, de autoria de Paulo Coelho, utiliza o argumento pragmático:

Prevenção
Paulo Coelho
O mullah Nasrudin chamou o seu aluno preferido: ”Vá pegar água no poço”, disse.
O menino preparou-se para fazer o que lhe fora pedido. Antes de partir, entretanto, levou
um cascudo do sábio. ”E não entre em contato com jogadores e pessoas vaidosas, senão terminará perdendo sua alma!”, disse o sábio.
”Ainda nem saí de casa, e já recebi um cascudo! O senhor está me castigando por algo que não fiz!”
”Com as coisas importantes na vida, não se pode ser tolerante”, disse Nasrudin. ”De que adiantaria castigá-lo, depois que já tivesse perdido sua alma?

O valor de manter pura a alma do menino é transferido para a causa: o castigo aparentemente é injusto.
A lei do carma para os hindus fundamenta-se no argumento pragmático. Dizem eles que os males que as pessoas sofrem na vida presente, sem razão aparente, são justificados por faltas cometidas em existências anteriores. A causa, que não é visível nesta vida, estaria em uma vida passada. Trata-se do carma dessa pessoa.
É preciso, contudo, bastante cuidado e, sobretudo, muita ética, no uso do argumento pragmático. Caso contrário, estaremos de acordo com aquela máxima que diz que os fins justificam os meios. Muitas pessoas acham que, porque tiveram uma educação rígida, tornaram-se competentes e, por esse motivo, pretendem, quando forem pais, educar seus filhos da mesma maneira.
As superstições são também fundamentadas no argumento pragmático. O supersticioso acredita, por exemplo, que, como foi assaltado numa esquina após um gato preto ter passado à sua frente, o motivo foi o gato. Transfere o azar do assalto para a causa supersticiosa do gato preto.

Desperdício
Esse argumento consiste em dizer que, uma vez iniciado um trabalho, é preciso ir até o fim para não perder o tempo e o investimento. É o argumento utilizado, por exemplo, por um pai que quer demover o filho da idéia de abandonar um curso superior em andamento. Bossuet, grande orador sacro, bispo da cidade francesa de Meaux, utilizava esse argumento, ao dizer que os pecadores que não se arrependem e, dessa maneira, não conseguem salvar suas almas, estão desperdiçando o sacrifício feito pelo Cristo que, afinal, morreu para nos salvar.

Exemplo
A argumentação pelo exemplo acontece quando sugerimos a imitação das ações de outras pessoas. Podem ser pessoas célebres, membros de nossa família, pessoas que conhecemos em nosso dia-a-dia, cuja conduta admiramos. Posso defender a tese principal de que as pessoas de mais de cinqüenta anos ainda podem realizar grandes coisas em suas vidas, utilizando como tese de adesão inicial o exemplo de Júlio César que, depois dos cinqüenta anos, venceu os gauleses, derrotou Pompeu e tornou-se governador absoluto em Roma.
Dizem que, quando Tancredo Neves pretendia ser candidato à presidência da República, houve, dentro do PMDB, rumores contrários à sua candidatura, alegando ter ele idade avançada. Imediatamente, Tancredo argumentou pelo exemplo, dizendo que, aos 23 anos, Nero tinha posto fogo em Roma e que, com 71 anos, Churchil tinha vencido os nazistas, na Segunda Guerra Mundial;


Modelo ou pelo Antimodelo
A argumentação pelo modelo é uma variação da argumentação pelo exemplo. Os americanos costumam tomar George Washington e Abraham Lincoln como modelos de homens públicos. Aqui no Brasil, falamos em Oswaldo Cruz, Santos Dumont, mas também em Albert Einstein. Podemos dizer a um garoto que ele não deve acanhar-se de ter problemas em matemática (tese principal), pois até mesmo Einstein tinha problemas em matemática (tese de adesão inicial).
A argumentação pelo antimodelo fala naquilo que devemos evitar. Segundo Montaigne, o antimodelo é mais eficaz que o modelo. Dizia ele, citando o estadista romano Catão, que ”os sensatos têm mais que aprender com os loucos do que os loucos com os sensatos”.
Contava também a história de um professor de lira que costumava fazer seus discípulos ouvirem um mau músico que morava em frente da sua casa, para que aprendessem a odiar as desafinações.
Um caso comum de antimodelo é o do pai alcoólatra. Raramente pais alcoólatras têm filhos alcoólatras. O horror ao antimodelo é tamanho que, muitas vezes, os filhos de alcoólatras acabam tornando-se completamente abstêmios.

Analogia
Quando queremos argumentar pela analogia, utilizamos como tese de adesão inicial um fato que tenha uma relação analógica com a tese principal. O renomado médico baiano Elsimar Coutinho utiliza a argumentação pela analogia, em um livro chamado Menstruação, a Sangria Inútil, defendendo a tese (principal) de que as mulheres devem evitar a menstruação, tomando uma medicação que iniba a ovulação. Ao ser questionado se isso não seria interromper uma coisa natural, diz ele que nem tudo aquilo que é natural é bom. Um terremoto, por exemplo, é uma coisa natural e não é boa. Uma enchente é uma coisa natural e não é boa. Uma infecção por bactérias é uma coisa natural e não é boa. Tanto que tomamos antibióticos para combatê-la. Segundo ele, a menstruação, embora natural, tem aspectos indesejáveis como a tensão prémenstrual, e o perigo de enfermidades graves como a endometriose. Combatê-la, pois, com medicamentos, como fazemos com os antibióticos em relação a uma infecção, é uma medida acertada, diz ele.
Completa ele a sua argumentação, ainda por analogia, dizendo que assim como a humanidade viveu dois mil anos sob os ensinamentos de Hipócrates e Galeno, segundo os quais a sangria era o mais poderoso e eficiente remédio para todos os males, muitas mulheres ainda vêem a menstruação como um mecanismo purificador pelo qual a natureza se livra de um sangue sujo ou ruim.

O jornalista Carlos Heitor Cony, comentando a reeleição do presidente Fernando Henrique
Cardoso, em 1998, escreveu o seguinte artigo no jornal Folha de S. Paulo:

NON HUNC, SED BARABBAM
"Vou mesmo de latim para comentar a vitória de FHC no último domingo. Lendo os jornais nos últimos dias, previ que ele teria 80% dos votos. Acho que os esforçados panfletários a favor exageraram um pouco. Afinal, diante de todas as excelências e boas intenções do candidato à reeleição, os 50 e poucos por cento que obteve nas urnas não lhe fizeram
justiça.
Volto ao título. Creio que a primeira eleição historicizada foi aquela promovida por Pilatos, que desejava livrar a cara de Jesus e o colocou em confronto com Barrabás, um assassino que estava para ser crucificado. Era costume libertar um condenado por ocasião da Páscoa judaica.
O raciocínio de Pilatos foi um voto de confiança na sabedoria do povo: entre um assassino e um profeta cujo crime era anunciar o Reino da Verdade, a plebe rude salvaria o profeta e condenaria o criminoso.
Ledo e ivo engano! Não havia TV, cientistas políticos e institutos de pesquisa para influir na vontade popular. Pilatos exibiu o profeta exangue, nem precisou mostrar o adversário,
todos sabiam que Barrabás não prestava mesmo, sua fama de maus bofes era conhecida na Galiléia, na Samaria, até mesmo nas vizinhanças de Qunram.
Prometeu que libertaria o escolhido pela vontade soberana das urnas - que eram de boca e ao vivo.
Estupefacto, o procurador romano ouviu o que não esperava: ”Non hunc, sed Barabbam!”
(”Não este, mas Barrabás!”) Foi aí que Pilatos lavou as mãos. Não era mais com ele.
Sabemos como tudo terminou: Jesus seguiu para o Calvário, Barrabás deu no pé e nunca mais se soube dele. Ficou sendo, apesar de tudo, o primeiro a ser salvo, literalmente, pelo Salvador.
Costumo invocar situações-limite para tentar definir o que penso. O Brasil tem alguma coisa a ver com aquele trapo de homem coberto de sangue, flagelado e coroado de espinhos. Nem o FMI nem o G-7 dariam um centavo por ele. Resta saber para onde o Barrabás fugirá quando chegar a hora."

Cony não manifesta explicitamente seu pessimismo pela reeleição de Fernando Henrique.
A argumentação pela analogia, referindo-se à opção dos israelitas por Barrabás, se encarrega disso. Fica subentendido que o povo brasileiro escolheu o pior.

A argumentação pela analogia não precisa ser longa. Às vezes, em uma frase é possível
sintetizá-la, como fez Ibn Al-Mukafa7 que, para convencer as pessoas a não ajudarem pessoas ingratas, diz que ”Quem põe seus esforços a serviço dos ingratos age como quem lança a semente à terra estéril, ou dá conselhos a um morto, ou fala em voz baixa a um surdo”.

20.6.10

Tese de Adesão Inicial e Tese Principal

Pessoal, quando nós precisamos defender o nosso ponto de vista e com isso buscar convencer o nosso auditório, não devemos propor de imediato nossa tese principal, ou seja, esse ponto de vista que queremos ”vender”. Primeiro, devemos preparar o terreno propondo alguma outra tese com a qual o nosso auditório possa antes concordar.
 
Essa tese preparatória chama-se tese de adesão inicial. Uma vez que o auditório concorde com ela, a argumentação ganha estabilidade, pois é fácil partir dela para a tese principal. As teses de adesão inicial fundamentam-se em fatos ou em presunções.

A tese de adesão inicial é a nossa introdução. Ela será usada no 1º parágrafo da redação.
Para encontrar a tese de adesão inicial devemos interrogar o tema da redação, transformar ele numa pergunta. A resposta será a nossa tese de adesão inicial.
 Vamos tomar como exemplo o tema da FUVEST 2010:
“Ao invés de nos relacionarmos diretamente com a realidade, dependemos cada vez mais de uma vasta gama de informações, que nos alcançam com mais poder, facilidade e rapidez. É como se ficássemos suspensos entre a realidade da vida diária e sua representação.”
Tânia Pellegrini. Adaptado.
Na civilização em que se vive hoje, constroem-se imagens, as mais diversas, sobre os mais variados aspectos; constroem-se imagens, por exemplo, sobre pessoas, fatos,livros, instituições e situações.
No cotidiano, é comum substituir-se o real imediato por essas imagens.


Para acharmos a tese de adesão inicial poderíamos fazer a seguinte pergunta:
Qual é a conseqüência da representação do mundo por meio de imagens através das diversas mídias, como televisão e internet?
Suponhamos que a resposta seja:
A manipulação da realidade com objetivos que podem não beneficiar ao bem maior e ao bem estar de todos.
Esta será a nossa tese de adesão inicial que usaremos para escrever o 1º parágrafo.
Agora que temos a tese de adesão inicial, temos que desenvolver e defender a nossa tese principal.
Mas qual será esta tese principal? Simples, é só buscar responder e entender a tese de adesão inicial. No nosso caso seria o porquê da manipulação da realidade beneficiar somente alguns e não a todos. 
Enfim, essa manipulação pode ser construída para vender determinado produto, mostrando como ele é essencial para o nosso bem estar; ou as imagens também podem ser construídas para influenciar a massa, como aconteceu na Alemanha nazista através da propaganda e retórica política de Joseph Goebbels.

Em resumo, as respostas para a tese de adesão inicial são os argumentos que serão usados para defender a nossa tese principal.

Essa tese principal deverá ser defendida no 2º e 3º parágrafos. Já o 4º parágrafo será usado para expor um exemplo que reforce o valor dos nossos argumentos usados para defender a tese principal.

Depois é só concluir a redação no 5º parágrafo com uma das quatro técnicas de conclusão:
a)      reforço da tese de adesão inicial;
b)      solução para o problema apresentado na tese principal;
c)      questionamento que faça o interlocutor pensar sobre a tese principal;
d)      apresentar um novo fato ainda não abordado e que se complemente à tese principal.

19.6.10

O trabalho formando pessoas (redação de uma aluna)

É incontestável o fato de que o trabalho exerça total influência na maneira de ser de qualquer indivíduo.

A maior parte da massa trabalhadora passa mais tempo em seu ambiente de trabalho do que em casa. Isso ressalta a teoria do determinismo, que diz que o homem é resultado do meio em que vive, pois, concordando-se ou não, o ambiente do serviço impõe uma adaptação a se fazer.

Nesse ambiente, as relações entre pessoas são inevitáveis e mostram-se diversas vezes estressantes ou produtivas, já que o homem é condicionado à isso, precisando respeitar o outro e com isso suas diferenças.

Dentro desse contexto, as características que fazem do ser humano o indivíduo mais complexo existente, evidenciam-se porque a diversidade cultural, étnica e até mesmo social, são palpáveis e constantes na vida diária do trabalhador.

Assim, o trabalho de maneira ofensiva no processo de consolidação de toda e qualquer personalidade, já que esse se dá pelo acúmulo de experiências ao longo da vida, não só profissional, mas também emotiva e psíquica, adquire-se no trabalho e a maneira como essa experiência será convertida em aprendizagem ou não, dependerá das características individuais das pessoas e nas riqueza encontradas nos diferentes potenciais.

Um trabalho que não vale nota (redação de um aluno)

Atualmente, existem muitas crianças e adolescentes nas ruas jogadas a própria sorte, num mundo violento e repleto de criminalidade. Principalmente nas grandes metrópoles como São Paulo, as crianças passam fome e estão distantes das escolas, onde é o lugar que elas deveriam estar.

Algumas crianças e jovens abandonam os estudos por motivos realmente complexos e distintos, dentre eles, a necessidade de ter uma renda, seja ela para si próprio ou para auxílio da família.

Além disso, crianças e adolescentes deixam as escolas sem completar o ensino médio, porém, esses não sabem o quão importante é, tanto para a sua formação escolar, como para a formação de cidadão.

A criação e a consolidação das leis trabalhistas, juntamente com o Estatuto da Criança e do Adolescente, beneficiou esses jovens com seu ingresso no mercado de trabalho após os 14 anos, sendo aprendiz ou estagiário sem precisar deixar de freqüentar a escola.

Contudo, o trabalho infantil no séc.XXI diminuiu devido às leis criadas e desenvolvidas, porém, essa problemática ainda está presente e preocupa muitas pessoas, pois no nosso país, o futuro é a criança sem futuro.

Trabalho, sonho utópico (redação de uma aluna)

Com a globalização no mundo houve uma grande concentração de capital, que revertida em tecnologia nas fábricas, na qual trabalhavam muitos homens, mulheres e até crianças.

Dessa maneira, muitas máquinas ocuparam o lugar de muitos trabalhadores, ocorrendo uma elevação repentina das taxas de desemprego em muitos países.

Quando muitos trabalhadores são despedidos, apenas uma pessoa tem a função de controlar a máquina, ela fica sobrecarregada de serviço, sem tempo para ela mesma, utilizando o capitalismo como forma de escravizar o próprio trabalhador em função da renda que ele precisa ganhar para sobreviver.

No filme Tempos Modernos podemos perceber as conseqüências de um trabalho repetitivo no dia a dia, na qual Charles Chaplin torna-se um escravo do seu próprio trabalho, indo todos os dias como um zumbi trabalhar.

Em suma, o trabalho que todos precisamos não é um sonho ideal que muitos socialistas utópicos queriam e que se concretizou através de um modelo escravista, que em contradição, serve ao ideal capitalista.

Um aspecto não tão importante (redação de uma aluna)

A principio, o capitalismo é o que há de mais moderno, a atuação do homem e da mulher é igual em grandes empresas. A nossa nação é capitalista, onde predominam a não intervenção do Estado na economia, o domínio das multinacionais e as doenças urbanas.

Destaca-se atualmente o papel da mulher neste contexto, um ser que tempos atrás era considerado sexo frágil e necessitado de uma estrutura masculina e conservadora.

Logo o que mais se percebe nas grandes metrópoles neoliberais são as doenças urbanas, tais como depressão, individualismo, mau humor e stress, que não diferenciam gênero, cor ou poder aquisitivo.

Segundo Thomas Hobbes, existe na sociedade a dominação do mais forte sobre o mais fraco, sendo esse sem qualquer exclusão, como em sua metáfora dizia “ o homem é o lobo do homem”.

Contudo, em vigência das doenças urbanas, não há uma extrema distinção de gênero para o capitalismo, as doenças já citadas, estão presentes principalmente nas grandes cidades, grandes empresas, nos cargos mais cobiçados e mais bem pagos da sociedade, porém, não estamos imunes a esse mal.

18.6.10

Tema - As diferenças no mundo do trabalho de hoje e de ontem

25.5.10

O valor de um bom título para a redação

As primeiras 15 letras são muito importantes.

Uma boa redação já começa pelo seu título. Ainda que alguns vestibulares não citem a obrigatoriedade de se ter um título para o texto, é sempre interessante sintetizar de forma criativa o ponto de vista abordado através de um título chamativo.

Quando se tem um título interessante e bacana, há ainda uma maior predisposição por parte do interlocutor de prosseguir na leitura do restante do texto, ou seja, o título é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada, pois ajuda a reforçar o poder de argumentação – no caso de uma dissertação ou carta argumentativa – e cativar o interesse – no caso de uma narração.

De acordo com o professor aposentado da UNESP Rogério Chociay, autor do livro “Redação no vestibular da Unesp: a dissertação”, usar um título genérico é o mesmo que pedir para que a banca examinadora não se interesse pelo texto.

Afinal pessoal, vamos supor que a gente comece a ouvir uma música e logo no início a gente não curta a melodia do som, por mais que a letra seja interessante, a gente nem vai continuar ouvindo a canção até o final, não é mesmo?

Então, vamos agora estudar algumas fórmulas que irão nos auxiliar a criar um bom título.


Fórmula para criar um bom título
OBS – Os títulos abaixo são das melhores redações da FUVEST de 2009 e 2010.

1. Título direto
Ex.: a) Use somente o necessário.
       b) Imagem é poder

2. Título questionativo
Ex.: a) Porque não aceitar a solução do problema é quase sempre o problema da solução?
       b) Fato ou opinião?

3. Título instrutor
Ex.: a) Saiba como chegar naquele lugar.
       b) As boas fronteiras que estimulam o homem.

4. Título de comando
Ex.: a) Pare de esconder os problemas.
       b) Isso não é um cachimbo.

5. Título implícito.
(traz um valor embutido por trás do título, normalmente este valor se refere à tese principal)
Ex.: a) Fronteiras benéficas X Fronteiras opressoras
       b) “Pixels” não valem mais que verbos. E o contrário.

6. Título de garantia
(faz uso de palavras chaves ou conceitos que remetem à tese principal, mas de forma vaga, para que se possa criar uma expectativa e fazer com que o interlocutor leia todo o texto para compreender o sentido abordado no título)
Ex.: a) Ícaro, “I-Pods” e coca cola quente.
       b) Uma imagem vale mais que mil palavras.

7. Título personalizado
Ex.: a) Escher, Platão e o real imaginário.
       b) O grande legado de Platão.

8. Título curto e direto
Ex.: a) Imagem
       b) Persona